Olhos Verdes
Teus olhos verdes...
imensidão do oceano.
Num singelo piscar,
tua negra menina,
Dos olhos...
Me afaga, consola.
Olhos vivos,
brilhantes.
Olhar sapeca,
que me toca,
E me contagia.
Teu olhar tem magia,
Malícia!
Esconde segredos,
sem precedentes,
em conluio com os lábios.
Lábios de mel, carnudos,
sedentos,
doce e tenros,
à espera do ósculo,
molhado,
quente;
Agora,
Teus olhos repousam,
êxtasiados...
Eis que se fez o conjunto,
Harmonioso!
Perfeito!
Luiz Carlos Reis
Blog de contos e crônicas da fábula brasileira, pensamentos e poemas de outros autores, trovas, sonetos e literatura de cordel...
oficina cultural
oficinas culturais texto
Páginas
quinta-feira, março 30, 2006
sábado, março 18, 2006
Um rolé em sampa...
Sampa, terra da garoa e da boêmia, eternizada na poesia de Caetano e nas crônicas e pornôs chanchadas de Nelson Rodrigues, do engraxate que arrisca um sambinha de uma nota só no sapato do “Doto”, dos ambulantes e meretrizes da rua Aurora... exatamente... número 69. Da população de meninos e meninas de rua que protagonizam qualquer enredo de mazela social e que imperam a praça da Sé, do vai e vem, ufa!... De pessoas, cada qual com seu destino. A cidade acorda cedo.Num giro pelo centro velho e arredores, mais precisamente na Praça da República avisto uma aglomeração de pessoas atentas e curiosas, amontoando-se umas sobre as outras, muitas atrasadas para o trabalho, hoje difícil, para assistirem ao espetáculo, entre tantos. São artistas e saltimbancos, cantadores de coco, anônimos, migrantes do árido sertão nordestino. No picadeiro do calçadão o show vai começar! O protagonista vai saltar e projetar o corpo entre um arco de facas e lanças pontiagudas, o plaqueiro se esforça para dar uma espiadela. O ator prende, persuade a platéia, o suspense toma conta do episódio, momento ideal para angariar alguns trocados, o público é solícito e sempre colabora. Mais a frente outro amontoado de pessoas, pressupõe-se um novo espetáculo, não é! Trata-se de uma liquidação, dessas, tipo baciada. Adiante, e olha que rodei bastante pela city, já bem próximo do largo do café, indiferente e sem qualquer preocupação, um mendigo dorme tranqüilamente sob a marquise de um Banco. Essa mega metrópole quatrocentona aponta para mais um dia de especulações e comércio agitados. Este é só o começo! O pastor protestante discursa, cético algumas parábolas e passagens bíblicas. Promete ajuda e a salvação se alguém aceitar a Deus, fato ou doutrina o povo às tantas anda muito sofrido, mas não deixa de ter fé. São Paulo é assim não pára! Nas ruas e avenidas congestionadas automóveis e motocicletas disputam, entre transeuntes e camelôs, cada espaço da urbe num balé frenético e ordenado. São onze horas da manhã, descompassado bateu a fome. Na placa a promoção: “CHURRASCO GREGO MAIS SUCO GRÁTIS 0,50”. Barato e engana a fome, quem nunca provou? Experimente...é muito bom!Uma “muvuca” se formou quase que de imediato na quinze de novembro, uns corriam daqui, outros dali, a fiscalização da prefeitura fazia o “rapa”. Alguns arriscavam uma fuga, às vezes, com sucesso. O show ... tem que continuar! Fico só observando. Sorrateiro o malandro encosta, dois ficam no “bizú”, como olheiros. Olha aqui, olha ali...sobre o caixote que trouxe consigo o malandro coloca três tampinhas e uma única bolinha, incrível a habilidade disposta, logo vai se formar uma rodinha de apostadores.- Olha a bolinha! Está aqui, não está! Cá está, lá se foi...Opa! Quem vai apostar? O malandro casa 50 pilas, quem apostar leva R$ 100,00 reais. Interessante! Pensei. O sujeito aposta, se vira pra tirar os R$ 50,00 da carteira e como num passe de mágica o “veiaco” some com a bolinha! Pois é ...o azarão perdeu cinquentinha.- Olha os “hôme” aí! Grita um camarada. Pura armação. Blefe! O malandro se dispersa entre o populacho. Sobrevivemos à dura realidade do cotidiano paulista, palco da cultura nacional.Entardeceu! O mendigo, agora embriagado, balbucia palavras e patavinas indecifráveis consigo, a solidão lhe impinge um amigo imaginário. A tenda circense, denotada nos calçadões centrais, aos poucos é desarvorada. Abrem-se as cortinas para o segundo ato do espetáculo, os protagonistas agora são outros, homens e mulheres travestidos, gigolôs, meretrizes, pitboys, punks e góticos, clichês do persuadido e requintado ode paulistano. A selva de pedra se destaca pelos feixes de luzes estroboscópicas de letreiros e luminosos, que adornam, agora, sua estrutura de pedra e aço. Nos becos destaque para botequins, inferninhos, lans e alternativos, mananciais dessa Ghotan City brasileira. Regida pela sinfonia desconcertante dos ruídos noturnos, a lua, velha conhecida, aparece tímida para alumiar as escusas e sombrias vielas dessa paulicéia desvairada.Nos guetos, onde imperam luxúria, requinte e status, a magia da noite paulistana é lembrada e idolatrada ,mais uma vez , nas composições dos poetas contemporâneos. Roteiro sem restrições. Ao parafrasear o trecho: “Quem tem dinheiro bota a banca e vai gastar, uísque, caviar. Quem não têm vai de bar em bar , enche a cara de cachaça e manda pendurar...” , eis o retrato insólito da boêmia brasileira. Pelo menos para mim!Enfim, aproxima-se o final de semana! – Garçom, um chope, por favor! É... ninguém é de ferro. A lua , velha companheira, de tantas... baladas para ser mais “moderninho”, brinca de esconder-se. “Mente quem diz que a lua é velha”.Desculpem-me a "viagem", mas um belo par de olhos insinua algo...Um bate papo, talvez um...- Ora deixa pra lá, isso é assunto pra uma outra história.
Luiz Carlos Reis
Luiz Carlos Reis
quinta-feira, março 16, 2006
O Lago

Parece indiferente a minha presença
Mas sinto necessidade de alguém
Molho as pontas dos dedos
Ele parece despertar ainda trêmulo
Me sauda num susurro.
É que invejo sossego
E sempre me enludo
Sou mar, revolto e em chamas
Mas como me acalmar?
Se trago em mim versos de mar.
Como fazer se não posso me calar
E passo horas a me consumir
Procuro me satisfazer entre sólido e líquido.
Também tenho medo de não me achar
E angustiado procurar por mim
Não serei nem rio, nem mar
Pois com a lua tenho encontro marcado
Sou Lago solitário irei recebê-la
No mergulho do amor profundo e raro.
Darcy Costa Almeida, Literarte - Ano XVIII, Fev/02 - no. 201
quinta-feira, março 09, 2006
Descobrimento e ...imperialismo
Os temas abordados por antropólogos e historiadores nesses 500 anos de descobrimento, traçam uma apologia retórica e concreta dessa miscelânea de valores culturais regionais e a imensurável grandeza de nossa Pátria. No entanto, diante da realidade aparente indagamos: O quê de fato estamos comemorando?Refletindo o passado e retratando alguns fatos históricos desde os primórdios da nossa colonização, deparamos com a chegada dos portugueses na costa brasileira trazendo na bagagem uma infinidade de "novas" culturas. Impulsionados pelas grandes navegações além mar, pregavam a ideologia de evangelização mundial e, já naquela época, de propensão ao lucro e a dominação.Aportaram aqui numa terra sem leis, rica e inexplorada, habitada por gente boa e inocente, que andavam nuas e gostavam de festas e música. Desprovidas de um Rei, mas guarnecidas de costumes e valores morais para com a natureza e seus entes. A terra de Santa Cruz, como foi chamada inicialmente, conheceria de perto o senhor absoluto – a Colonização. E justificaria mais tarde a fortuna na saga descobridora de portugueses e espanhóis. O paraíso transformava-se num inferno. Os habitantes, os índios, eram dizimados gradativamente, por doenças e pestes de além mar, escravizados e surrados, para arrancarem de “suas” terras, agora propriedade privada, riquezas inigualáveis. Estreitavam-se então os mitos frente à realidade da dominação colonial, fundamentar a propriedade privada, escravisar e catequizar, centrado numa educação áulica e alienada, em subordinação à elite clerical.De colônia à império numa breve passagem ao período republicano, a ditadura também deixou raízes que configuram apenas os traços monopolistas e ideológicos, voltados efetivamente para a manipulação das classes populares, fragmentando-as com o auxilio da comunicação de massa. Face aos eventuais acontecimentos históricos convém analisar, de forma apocalíptica, a realidade que nos remete para um futuro de incertezas e desigualdades, já traçadas, paralelamente, pelo nepotismo e corrupção política, aliada inconteste da exploração de nossos recursos e fontes naturais, chaga do desiquilíbrio ambiental. No âmbito social, arregimentadas pelo capitalismo espoliativo e darwinista, a desigualdade social cujo baixo índice de desenvolvimento humano, "enriquece" a nuança pintada das mazelas sociais do retrato brasileiro, revelando-se protagonista da colônia que ainda insistimos em ser.Que país é este?
Luiz Carlos Reis
Luiz Carlos Reis
terça-feira, março 07, 2006
Canto de ternura
Eu quisera ser o cisne branco
Do teu lago encantado.
Deslizar, suavemente,
Pelas águas descuidadas,
Na paz concreta
De um imenso amor.
Olhar serenamente o céu,
Todo crivadinho
De estrelas peregrinas,
E vislumbrar,
Nas linhas do horizonte,
O teu vulto amado,
Perdido na distância,
Então numa doce simbiose,
De desejo e de ternura tanta
Eu bicaria o espaço
Vazio entre nós dois,
E buscaria lá do alto
E trazendo de ti,
Pedaço por pedaço
Eu te teria inteiro,
Somente pra mim,
Ó meu eterno
E imortal amor!
Arita D. Petená - Literarte, Ano XVIII, Fev/02 - no. 201
Do teu lago encantado.
Deslizar, suavemente,
Pelas águas descuidadas,
Na paz concreta
De um imenso amor.
Olhar serenamente o céu,
Todo crivadinho
De estrelas peregrinas,
E vislumbrar,
Nas linhas do horizonte,
O teu vulto amado,
Perdido na distância,
Então numa doce simbiose,
De desejo e de ternura tanta
Eu bicaria o espaço
Vazio entre nós dois,
E buscaria lá do alto
O teu sorriso calmo,
O teu olhar viril.E trazendo de ti,
Pedaço por pedaço
Eu te teria inteiro,
Somente pra mim,
Ó meu eterno
E imortal amor!
Arita D. Petená - Literarte, Ano XVIII, Fev/02 - no. 201
sexta-feira, março 03, 2006
Conto de Carnaval
Mês de fevereiro... Verão, praia, piscina e ... Carnaval que desponta como reduto incontestável de Reis Momos, arlequins e pierrôs trazendo na bagagem muita diversão, folias e folguedos.
No norte e nordeste brasileiro, têm frevo e maracatú, no sul o contágio dos enredos e a luxúria de blocos, cordões e escolas de samba. No centro-oeste o siriri festeja a folia carnavalesca às margens do Rio Grande. Mas, é na Bahia, nordeste brasileiro, onde o carnaval fora de época, de estafantes e contagiantes blocos e trios elétricos, compõe o cenário da festa tupiniquim. Para os festeiros de plantão, diversão garantida, para outros tragicomédia.
Doutor Zulmiro, solteirão convicto, no auge dos seus quarenta e poucos anos, boa forma física ensaiava, a caráter, alguns passos e marchas carnavalescas, não queria fazer feio. Precavido preparou tudo às vésperas. Passagens e reservas com destino à Salvador. No aeroporto o desabafo:
- Dane-se! Dane-se tudo...a patética situação econômica e política da Argentina, os entraves políticos no Brasil, a febre aftosa, FHC e sua corja, as eleições .. O que importa nesse momento é curtir o carnaval...esquindô lê lê! Esquindô lá lá – gesticulava com os dedos em riste.
A ansiedade e a expectativa tomavam conta daquele “tiozinho”. Haja coração! Quanta mulher bonita e “gostosa”, pensava Zulmiro. Na praça Rui Barbosa, o público apinhado e gigantesco, pulava freneticamente. No meio da ror, estava Zulmiro... ê Zulmirão! Curtia como um chicleteiro, numa empolgação alucinada. O calor exalava os mais diversos odores de “sovaco”, mistura de gente, suores, purpurina e confetes. A bebida predileta, uma tal de “capeta”, à base de vodka, guaraná em pó e canela, esquentava ainda mais e, haja água pra hidratar e agüentar o embalado carnaval fora de época do nordeste.. e olha que tem folia pra muitos dias.
E nossas mulheres...que belas obras na mãe natureza! Morenas ou loiras, tropicanas e calientes, beldades brasileiras de curvas sinuosas em minúsculas roupas. Insinuando, provocando, rebolando as cadeiras e instigando as mais loucas fantasias daquele quarentão, ao som da banda Chiclete com Banana.
Empolgou-se! Viajou na maionese! Não soube precisar de onde veio o pescoção... uma... raquetada, para ser mais exato!
O tapa foi tão forte que Zulmiro despencou e estatelou-se no chão. Caído, foi pisoteado e “atropelado” pela multidão fanática que cantava o refrão: “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”.
Na Santa Casa de Salvador, as ataduras que cobriam o corpo de Zulmiro, davam-lhe um aspecto de “múmia egípcia”. No ouvido persistia o zumbido da bofetada, que quase lhe estourou os tímpanos. Na televisão...o Big Brother da reeleição...é Lula lá.. - Paz e amor! De novo! Nas lembranças de Zulmiro o carnaval não acaba na quarta-feira de cinzas... termina antes! Certamente a mulher do próximo não é colírio para os olhos! E... tudo começa outra vez, eis que o samba... é de uma nota só!
Luiz Carlos Reis
No norte e nordeste brasileiro, têm frevo e maracatú, no sul o contágio dos enredos e a luxúria de blocos, cordões e escolas de samba. No centro-oeste o siriri festeja a folia carnavalesca às margens do Rio Grande. Mas, é na Bahia, nordeste brasileiro, onde o carnaval fora de época, de estafantes e contagiantes blocos e trios elétricos, compõe o cenário da festa tupiniquim. Para os festeiros de plantão, diversão garantida, para outros tragicomédia.
Doutor Zulmiro, solteirão convicto, no auge dos seus quarenta e poucos anos, boa forma física ensaiava, a caráter, alguns passos e marchas carnavalescas, não queria fazer feio. Precavido preparou tudo às vésperas. Passagens e reservas com destino à Salvador. No aeroporto o desabafo:
- Dane-se! Dane-se tudo...a patética situação econômica e política da Argentina, os entraves políticos no Brasil, a febre aftosa, FHC e sua corja, as eleições .. O que importa nesse momento é curtir o carnaval...esquindô lê lê! Esquindô lá lá – gesticulava com os dedos em riste.
A ansiedade e a expectativa tomavam conta daquele “tiozinho”. Haja coração! Quanta mulher bonita e “gostosa”, pensava Zulmiro. Na praça Rui Barbosa, o público apinhado e gigantesco, pulava freneticamente. No meio da ror, estava Zulmiro... ê Zulmirão! Curtia como um chicleteiro, numa empolgação alucinada. O calor exalava os mais diversos odores de “sovaco”, mistura de gente, suores, purpurina e confetes. A bebida predileta, uma tal de “capeta”, à base de vodka, guaraná em pó e canela, esquentava ainda mais e, haja água pra hidratar e agüentar o embalado carnaval fora de época do nordeste.. e olha que tem folia pra muitos dias.
E nossas mulheres...que belas obras na mãe natureza! Morenas ou loiras, tropicanas e calientes, beldades brasileiras de curvas sinuosas em minúsculas roupas. Insinuando, provocando, rebolando as cadeiras e instigando as mais loucas fantasias daquele quarentão, ao som da banda Chiclete com Banana.
Empolgou-se! Viajou na maionese! Não soube precisar de onde veio o pescoção... uma... raquetada, para ser mais exato!
O tapa foi tão forte que Zulmiro despencou e estatelou-se no chão. Caído, foi pisoteado e “atropelado” pela multidão fanática que cantava o refrão: “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”.
Na Santa Casa de Salvador, as ataduras que cobriam o corpo de Zulmiro, davam-lhe um aspecto de “múmia egípcia”. No ouvido persistia o zumbido da bofetada, que quase lhe estourou os tímpanos. Na televisão...o Big Brother da reeleição...é Lula lá.. - Paz e amor! De novo! Nas lembranças de Zulmiro o carnaval não acaba na quarta-feira de cinzas... termina antes! Certamente a mulher do próximo não é colírio para os olhos! E... tudo começa outra vez, eis que o samba... é de uma nota só!
Luiz Carlos Reis
Assinar:
Postagens (Atom)