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sexta-feira, dezembro 22, 2006

terça-feira, novembro 14, 2006

(...)Prólogo

O frio castigava, sentia nos ossos. Na face rubra o sereno condensava-se em gotas geladas que causavam arrepios. Protegia-me com a gola do casaco, já velho e surrado, mas de nada adiantava. De repente uma rajada de vento polar...Que estranha analogia! Os imensos arvoredos da praça açoitavam como chicotes estalando no ar. Uma penumbra mórbida completava a paisagem. E... Minha figura era protagonista de mais uma noite sozinho. Insólito e pressuposto monólogo.
Essa solidão... De onde vem as conquistas ? E os caminhos porquê são sempre tortuosos? Experiências que suponho virem destas estradas íngremes da vida...
Um vazio que nos arremata em pensamentos... Obscuros por falta de opções. Loucuras de um passado empírico. Outrora vividas!

Sei lá! Estamos no presente! Cada minuto ou segundo, ou mesmo horas a realidade se faz presente, portanto, imprescindível à crônica do tempo...Cronológica de genealogia inconstante...
Deixa disso!?!? - Pensava.
O frio aplacava minha memória, recostei naquele banco úmido e gosmento da praça outra vez. As árvores e o vento já não faziam muito sentido...

E, a noite já não era tão mórbida como parecia pois a lua estava carregada de emoção, mostrava-se saliente e atônita... Cheia e iluminada... Clara!
- Onde estavas frio? As escolhas: sempre tão difíceis.
Ajustei a gola do casaco e me levantei, precisava continuar, construir uma trilha pois o caminho ja estava traçado.
Assim como o tempo as estradas são repletas de pedras e obstáculos... O sereno agora é garoa fina... Onde está a lua? E o vento ?

Paira apenas uma brisa... Úmida... Fria!


Luiz Carlos Reis

sexta-feira, outubro 27, 2006

Hoje, amanhã e...Sempre


Os dias vão passando e mais se torna cinzenta a natureza. Céu, Mar e Terra transformando-se em palco de destruição, onde os artistas somos todos nós (ainda não escrevemos o último capítulo).
Mas, saibamos desde já, o Epílogo: Existência sadia dasaparecerá.
Pois, que tal mudarmos o roteiro a que destinamos o mundo!?
Lembremo-nos de que somos todos parte integrante da natureza e, se destruirmos parte dela, parte de nós está sendo tirada.
A culpa é minha, por culpar você...
Você é culpado, por culpar a mim...
E nós somos culpados por perdermos tempo uns culpando os outros, em vez de melhor cuidar de tudo que ela nos dá.
Então, aproveitemos que ainda podemos enxergar um pouco do azul do céu, outrora tão azul, e voltemos a ser, realmente, humanos.
Desta maneira estaremos dando o primeiro passo ao reencontro com a verdadeira felicidade, a saúde...
E, assim , a poesia sobre a primavera terá razão de ser.

Texto: José Vieira

sexta-feira, outubro 06, 2006

Minha Dama...


Linda flor!
Dama da Noite...
Diva que perfuma e encanta
com tua beleza recôndita...
Pura...Subversiva... Lunática!
De extênuante harmonia...
Platônica!
Desejo-te...

Quando já não é mais noite...

Eleva-te num intenso monolítico,
linda flôr de Amarilis...
Deslumbrante açucena de Virgílio!
Roturastes teu orgulho!
Os corpos se atraem em quereres,
A tensão aumenta...
O beijo!
Que arde e comprime as palavras...
misturam-se os fluídos
Sacia o desejo.
Sinta-o sublime...
à tua essência.

Luiz Carlos Reis

segunda-feira, outubro 02, 2006

Conto sertanejo

Mais um conto da fábula brasileira, talvez uma mostra singela do quadro conjuntural e social do país que sobrevive voraz às mazelas fundadas sob a égide do capitalismo espoliativo. De ações nada significativas, porém, extremamente imperialistas, que impõe aos países emergentes e de primeiro mundo, um produto atrasado e retrógrado: o subdesenvolvimento. Obviamente não ousaria falar de comunismo ou socialismo numa época em que conflitos entre direita e esquerda, permanecem escusos em castas pragmáticas, doutrinadas por partidos de extrema. Mutáveis, céticos vestidos com a indumentária da moralidade demagoga e utópica.
Retórica crônica ... Sim! Começa pelo indivíduo, doravante designado cidadão ou qualquer que seja a alcunha, que desde o nascimento merece um nome, uma certidão natural, direito jurídico legal e constituído, entre tantos outros que "não" lhe são assegurados mas subtraídos, apresento-lhes José, ainda sem nome, claro, porém, corroborando para o crescente quadro natalício brasileiro, estimado em 180 milhões de cidadãos.
Redundante suponho, mas compõe fielmente as estatísticas dessa miscigenada nação tupiniquim.
Na cabeça dos pais do pequeno menino a aflição. Mais um nordestino, mais um sertanejo sofredor, vivendo às duras penas na caatinga. Sem brasão ou ascendentes ricos, mas estabelecidos e familiarizados com a miséria e os piores índices de desenvolvimento humano. Excluídos! Pobres ou miseráveis? Para os progenitores do pequeno menino, não importavam as estatísticas, queriam o melhor para seu rebento.
Relembro a velha utopia da migração nordestina: aquela de tentar a vida na cidade grande.
O pirralho nasceu de parto parido, melhor com parteira. A dita cuja tinha muita experiência, um currículo invejável à muito obstetra da capital, quantas raparigas haviam passado por aquelas mãos de unhas micosadas e calejadas pelo cabo da enxada. No rosto a expressão carcomida, enrugada, sofrida pelo tempo que o sertão impõe de sol-à-sol. Estereótipo clássico do sertanejo sofrido. O menino, nasceu miúdo, muito minguado e raquítico, dava dó, era pele e osso, parecia que nem respirava. A mãe olhava aturdida ...Falaciosa. Sequer tinha leite para amamentar o moleque. Misturavam água do açude, meio barrenta, ao pouco leite que ordenhavam de uma velha cabrita... Para completar a ração. O pasto seco do chão de terra batida e esturricada, a palma que impregnava a vegetação mórbida do local, não venciam a fome do pobre caprino. Foram dias difíceis para a família de José! Não demorou muito e a coitada virou comida. No sítio, de nome "enjeitado", não havia luz elétrica, nem água encanada, contentavam-se com a água barrenta do açude. Uma realidade nacional em pleno século 21. Mas o sertanejo é forte e fervoroso não se importa com a tecnologia. Sua vida é trabalhar para comer, sair da míngua, sonhar com a vida na cidade grande, dar condições à sua descendência e casta. Quer um trabalho que o dignifique... Triste ilusão!
Mas a coragem não lhes faltam. A luta é constante.

Do árido sertão ficaram as lembranças e a saudade. Da casa de pau à pique e da pequena horta... Esturricada, não levaram nada.
O sonho da cidade grande era maior e romperia qualquer fronteira. Deixaram o "sítio enjeitado" e embarcaram no último pau-de-arara. À frente... O sonho e uma realidade sucumbida pelo descaso.


Luiz Carlos Reis

quinta-feira, setembro 21, 2006

Como as árvores...


Uma árvore não fica de costas para ninguém. Dê a volta em torno dela , e a árvore estará sempre de frente para você... Os verdadeiros amigos também!
Dizem os chineses que árvores plantadas com amor nenhum vento derruba...Quem planta árvores, cria raízes... Quem cultiva bons amigos, também!

As árvores produzem beleza para os olhos, na mudança sutil de suas cores e estações... A árvore é sombra protetora, sombra que varia com o dia, que avança e faz variados rendados de luz semelhantes à estrelas...
As árvores são sinônimos de eternidade... E uma verdadeira amizade também é para sempre!

Texto de Autoria desconhecida

quarta-feira, setembro 13, 2006

Esses Poetas...


Quão sábios e ecléticos são os poetas. Parnasianos epítomes da sapiência e criatividade mutuam as letras, dilaceram os vocábulos, adornam as palavras, enfeitam verbetes...Transformam-nas em sonetos, prosas e incontestes poemas.
Na esperança quadrante e harmoniosa da perfeição as prosas rebentam em versos, platônicos, puros, sutis, incautos das pretensões amorosas... Em vestes poéticas que marcam sentimentos e dissabores sempre metamórficos...
Essa coletânea de essência nobre, versada sobre rimas, assedia e acalenta as Musas e Divas.
Um plagiar sincero e subjetivo dos sons matutinos da primavera, do canto sinfônico dos pássaros... Do pôr do sol... Do João-de-Barro, fidedignos construtores, fiéis à amada, de canto nobre... Sulcam a terra onde retiram os grãos... Pequenos grãos de terra os pilares para seu ninho...Leito fiel!
Ah! Esses poetas! Sempre embalados pelo canto... Promissores...Encantam-se por muito pouco... Devaneiam!
Esses poetas... Que elevam os sonhos para outro espaço tempo... E deixam na memória lembranças ternas... Eternas...
A lágrima efêmera que escorre na face é real... A emotividade aflora, descende da sinfonia que se acaba... Finda...
O som dos acordes...num fado!
Esses poetas...

Luiz Carlos Reis



segunda-feira, setembro 04, 2006

Apenas rascunhos...

Às vezes nos perdemos no lirismo doce e poético das palavras, nesta metamorfose de letras e signos sempre tão breves...
Outras vezes endurecemos e rudemente, como num rascunho inacabado, pois são assim as palavras inacabadas, magoamos ou partimos algo construído...Vem a saudade...
Nas palavras percebemos todo o contexto significativo do sentimento, sempre expressivos, sejam homógrafas ou heterofonéticas...São as palavras! Poucas ou muitas, são as entrelinhas da emoção, as diretrizes do coração a comoção... Sentimentos imensuráveis dispostos em... Palavras! Que não podem ser tocadas...
Letras, vogais e consoantes, etimologia, grafia... Sílabas. Inseparáveis mutantes! Que adiante viram poemas, prosas rimadas, sonetos e quadrantes, duetos e composições em versos sincronizados...
Podem ser de amor, tão emotivo! Platônicas! Mal versadas não importam!
Conjuntos fônicos, cantarolados, recitados, declarados, declamados que ao ouvi-las...Ora podemos sentí-las, queremos tocá-las...
Dizem muito ou tão pouco e, para compreendê-las bastamos ouvi-las e assim criarmos contextos em devaneios, diretrizes, ou melhor, singelos alpendres de versos e sentimentos... Apenas rascunhos, pois o coração pode estar em desalinho...

Luiz Carlos Reis

terça-feira, agosto 15, 2006

Alvorada de um suburbano


Segunda -feira, quatro e quinze da madrugada acordei meio assustado com o barulho ensurdecedor do despertador. Num acesso incontrolável de estresse e raiva, desliguei-o brutalmente com uma pancada. Como dormí muito mal a noite anterior.
- "Marvada" pinga! Não estou suportando o meu próprio hálito.
As dores de cabeça... nas costas e pescoço estão insuportáveis, tornaram-se congênitas... são protagonistas da minha insônia, dessa "coisa" de dormir chapado.

Prometo para mim mesmo parar de... nunca mais beber.
- Maldita insônia! Ainda sonolento, levantei e sentei-me na cama, o colchão já não absorve as tensões ortopédicas previstas , meu corpo está cansado e o sono... é incontido e maçante. Espreguiço...o estalar dos ossos rompe o silêncio amorfo. A penumbra invade aquele cubículo frio, fétido e embolorado. Restos mortais de uma barata nojenta e gosmenta, impregnam a sola do meu pé...pisei por infelicidade naquele ortóptero alado. Azar o dela! Tateio o chão com os pés e, na escuridão da edícula, meu cognitivo tão ou... atordoado pela bebedeira indaga: cadê a porra do chinelo? De pé! Finalmente!

A cabeça roda...e roda como pião na cela desenhada com gravetos, num chão de terra batido. Mas é questão de tempo...a topada do antelho mínimo no "pé da cama" foi inevitável, a dor provocou o marejar dos olhos, escureceu a visão, e uma dor pungente e desmedida toma forma...
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Algumas lágrimas escorrem pelos cantos dos olhos , um palavrão ecoa num desabafo incontrolável, como um rugido, quebrando o silêncio da madrugada...

Luiz Carlos Reis

Foto:
http://www.fotorevista.com.ar/Galeria/Argentina

Indivisíveis




O meu primeiro amor e eu sentávamos numa pedra que havia num terreno baldio entre as nossas casas. Falávamos de coisas bobas, isto é, que a gente grande achava bobas. Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos. Crianças... Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexos, a não ser o azul imenso dos olhos dela, olhos que eu não encontrava em ninguém mais, nem no cachorro e no gato da casa, que apenas tinham a mesma fidelidade sem compromisso e a mesma animal - ou celestial - inocência. Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu. Não importava as coisas bobas que disséssemos. Éramos um desejo de estar perto, tão perto, que não havia ali apenas duas encantadoras criaturas, mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra, enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida...

Mario Quintana

Foto: TRMan

http://pracadarepublica.weblog.com.pt/contos_da_madrugada/

sábado, agosto 05, 2006

Tempos difíceis

A farda engomada e robusta na estatueta de bronze... mistura de latão e cobre é só um busto de azinhavre enclausurado que adormece, como gigante, num ataúde de lembranças sem saudades... fechado à gorje.Símbolo da retórica utópica e ufanista da caserna, dita “dura” nos idos anos do terror inconteste.Esta mesma que aterrorizava, cerceava e apunhalava pelas costas a expressividade e a liberdade dos dissidentes revoltos contra um sistema retrógrado. Manchas...foi o que ficou no metal contundente da baioneta ensarilhada.Pobres comunas do império escarlate...Rubros...Em suas bandeiras tremulavam ceifantes a foice e o machado, insólitas insígnias, vertentes da terra, do trabalho, da igualdade fraterna e liberal.Ascender frente ao paredão sistemático da falange oliva ... impossível. Restou aos rubros camaradas apenas o mofo úmido e fétido dos porões.Como ratos acuados, o açoite rude e o pau-de-arara macularam suas carnes, mancharam-lhes as honras . Companheiros camaradas! Silenciosos, agora, repousam em cova rasa sob a cal. Mártires! Somente mártires, sem fardas, patentes ou graduações ... deixaram ideais.Bravos amotinados contra uma ditadura fascista e retrógrada. Deixaram teus manifestos contra sofismas e falácias dessa retórica opulenta. Aos politicamente corretos...ingratidão e insanidade.Que verbo conjugar num período de incertezas? Qual pessoa ou tempo? Futuro ou presente? Circo ou arena?Na concha virada riem... em conluio. Patéticos demagogos!Estilhaços de uma granada ferem há tempos a honra, bravo pendão que sustenta a esperança ...Salve camaradas! Salve!

Luiz Carlos Reis

terça-feira, julho 25, 2006

Sonhos de Palhaço

Adormeço...cansado, exausto, fatigado. Os sonhos talvez não virão...Me iludir! Meu cognitivo ameniza os pensamentos ...os olhos escurecem...Morfeu me atazana...apenas flashes de luzes e cores me direcionam.Vejo também constelações e galáxias num espaço entre o terreno e o estratosférico... imaginários que dominam todo o meu subconsciente ... sem consciência ou noção de tempo...Tempo presente que se projeta para um futuro quase real, deveras subjetivo, objeto superficial... mais hologramas transcendentes, como matizes retorcidas, chuvisco de uma televisão fora de sintonia... Desligue-a!Um espelho surge no front ... front de batalha? O que há camarada?Não há nada só o espelho, reflete um rosto que não reconheço... pintado, sofrido pelas ilusões mas... de olhar doce e meigo...sincero, apraz. Pintado como uma máscara onde estampa um sorriso...amável.Quantos picadeiros de ilusões inflamou o mascarado...? Muitos! Obteve notoriedade, a graça... o chacotear o fez viver e sobreviver!Palhaço! Pensas que somos palhaços! Todos riem...até você! Mesmo nesta solidão aturdida...Riam ...gargalhem não me importo! Espero por aplausos, sinceros...! A tenda circense me protege. Findo os tambores ... mais aplausos... ! Acabou o espetáculo, volto ao camarim retomo o monólogo insólito... frente ao espelho um rosto... laivos de zíngaro na máscara violenta e nua...Acorda-me Morfeu!

Luiz Carlos Reis

sábado, julho 15, 2006

Sinfonia...


A sinfonia que perdeu-se com os anseios vagam por entre as vertentes da natureza humana.
Mas é na condução da música, essa opereta da vida, que os acordes se ajustam como se estivessem na pauta. Pauta de vida...sofreguidão! A sinfonia não é mais sinfonia, são duetos que já não se encontram mais...
Os arpejos melancólicos se esvaem e o maestro não conduz a peça musical como deveria com a maestria que lhe é peculiar. Mais um palco se levanta...outras paixões...
No teatro montado a platéia se dispersa...não há aplausos...não há textos...não há representação...não existem atos... nem atores... a música ao fundo é cantarolada....como um fado de letras tristonhas!
Eis que o tenor de shakeaspeare muda o tom da sinfonia...da opereta... e os poetas de outrora renascem assim como a nova sinfonia, como meninos pequenos...o desabrochar dos primeiros botões...
E, acordes perpetuados despontam incólumes, póstumos na pauta numa harmonia perfeita com os versos cantados...
Ê vida...! Que retoma os anseios divagando no vento e renasce na esperança... as musas sempre únicas...tudo inspira nessa sinfonia de meninos...mais devaneios...na imensidão do mar. Soltemos as amarras...somos expectadores e coadjuvantes dessa sinfonia pulsante...vida!

Luiz Carlos Reis

segunda-feira, julho 03, 2006

Devaneios


Sentimentos de felicidades que regozijam nosso interior numa linguagem semântica... inanimada. Fomos apáticos um dia, talvez não o sejamos mais. As virtudes de outrora afloram como nunca o fizeram... doces devaneios suponho.
Na selva de ilusões, o que é isso? O pragmatismo cedeu espaço à hipocrisia bastarda, nova visões de mundo apontam para outros resultados. Céticos ? Talvez! Epítome do devaneio.
Imaculada... assim ficou a imagem da face rude e austera ao curvar-se para um singelo sorriso de um pequeno menino... mil facetas se fizeram, sustentaram-se aos devaneios renovados...
A plenitude e a imensidão do mar, este que reina supremo...é a natureza Divina! A mente renovada faz bem, traz serenidade, calma aos ânimos... como um devaneio.
No desabrochar de um botão, faz-se à formosura da rosa as gotículas pinceladas pela brisa úmida do amanhecer ... mais devaneios...
Estamos alheios a tudo ? Quão doces devaneios imperam nosso viver? Sim...tal qual a prosa , uma sinfonia única, pautada num conjunto harmonioso de notas e acordes... sons em devaneios que tanto inspiram. Reflitamos criatura!
Devoluto está nosso interior e, naturalmente, essa áurea clama por amor, compreensão, atitude, humanidade, compaixão... por um Dó de ternura fraterna...doce epopéia de vida, mais devaneios...recônditos do ser.

Luiz Carlos Reis

Inspirado em http://soletrando2.blogspot.com/

sábado, junho 24, 2006

Vento no litoral...


De tarde eu quero descansar,
chegar ate a praia e ver
Se o vento ainda está forte
e vai ser bom subir nas pedras
Sei...Que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora...
Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora além de aqui dentro de mim?
Agimos certos sem querer,
foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Por que você está comigo o tempo todo...
E quando vejo o mar, existe algo que diz:
Que a vida continua e se entregar...
É uma bobagem...
Já que você não está aqui
o que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos...
Pensar que o plano era ficarmos bem...
Ei...olha só o que eu achei...
Cavalos marinhos...
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o tempo vai levando tudo embora...

Renato Russo

domingo, junho 18, 2006

Cotidiano de um suburbano - o final

Vago sem rumo pela Ghotam paulista. Desconheço o meu caminhar , meio capenga nessa urbe esburacada. O sereno da noite umedece minha cútis. Sinto a friagem gelar meus ossos, preciso de algo quente para beber, um uísque, uma tequila... uma pinga! Qualquer destilado que possa aquecer minhas entranhas sedentas, secas.
Apenas uma dose...

Meu peito dói muito! Trêmulas minhas mãos parecem não me obedecerem , à tempos perdi o controle sobre elas.
O relógio na torre do Mosteiro parece não funcionar. Chego à imaginar os áureos tempos da minha juventude. Tempo...esse sujeito foi implacável comigo, meu reflexo, já arqueado da minha imagem, sombreada na vitrine da loja não mente.
A rua continua deserta, erma. O arrulhar dos pombos quebram este silêncio mórbido. A penumbra noturna é recortada de forma geométrica pelos feixes que se formam das luzes de mercúrio que pouco iluminam. Cadê a tecnologia dos grandes centros urbanos?

Continuo minha busca, meu caminhar, meu rumo.
Três vultos tomam forma ao longe, é impossível descrevê-los, usam capotes negros e longos que cobrem-lhes os rostos mal encarados, pálidos ...barbas por fazer, carecas. São skinheads! Anarquistas! O que fazem ali?
Suburbanos como eu? Ou ...estereótipos de uma sociedade desestruturada pelo capitalismo espoliativo, que vagam como animais sedentos, madrugada adentro, em busca de uma presa, um troféu? Serei eu a presa? Não! Absolutamente! Não!
Continuo convicto e retilíneo em meu trajeto. Como se fosse dono daquele espaço da urbe. Desistir naquele instante, traria à tona todos os meus piores medos... Meus paradigmas? Se foram, estão quebrados e estilhaçados!
Porquê temer? Estou convencido dos meus medos. Resistirei! Não pertenço à cadeia alimentar dessa casta preconceituosa e racista... Encaro-lhes...
Cochicham e balbuciam palavras entre eles, signos de um dialeto indecifrável, insignificantes para mim...
Bato de ombros num deles. Paro ainda de costas, indeciso e amedrontado. Fui corajoso, mas até que ponto?

Será que ... que besteira cometi?Devo continuar...reagir. Minha mente doentia não permitiria não tenho forças ... nem tempo! Se foram...
Violência ?O mundo já anda tão violento! Certamente seria esmagado, massacrado, desovado, uma página efêmera dos tablóides vespertinos.
Quero apenas um drinque! Nada mais do que isso!
Sou espelho dessa sociedade que violenta meu corpo, já cansado, todos os dias. Nenhuma assistência.
- COF! COF ! COF!
Por alguns minutos uma tosse purulenta me acomete violentamente. No peito a mesma dor, pungente, que parecia sair do fundo da alma.
Estou cansado, atordoado... recostei-me junto ao poste, me serviu de bengala. Vieram as náuseas, ô vômito incontido em forma de borra de café. Quero recobrar os sentidos, preciso de um trago...Argh!
Não sinto minhas mãos trêmulas como antes, estou sonolento! Minha garganta está insípida...Essa dor... continua latente.
Uma paisagem fica estampada em minha memória. O que está acontecendo afinal? Parece que flutuo, pairo sobre àquele corpo iluminado pelo feixe de luz mercúrio... um quadro pintado à óleo, cena de natureza morta. Elo morfético...hipotético... da urbe urbanizada.


Luiz Carlos Reis

segunda-feira, junho 12, 2006

Cotidiano de um suburbano - O começo

O dia promete ser atribulado. O vai e vem de pessoas esbarrando-se entre si, cada qual no seu rumo, incerto, efêmero, às vezes sem sentido, me atordoa.Sou mais uma incógnita, anônima. Receoso indago que caminho devo seguir ? Essa pós- modernidade utópica e retrógrada me contagia ... Sou fruto passivo da xenofobia congênita, que impregna as “coisas velhas” e ultrapassadas... vencidas. Um novo plano eclode da virtualidade: o subjetivo humano.
Penso, talvez eu exista! Descarto qualquer plágio!
As unanimidades persistem e corroem as discussões sem argumentações.Existem dialéticas sem fundamentações ou filosofias artificiais?
Nas ruas tribos amotinadas amontoam-se e disputam espaços urbanos nos picos mais altos da selva de pedra. Pitorescas são as formas e os variados signos que maculam a arte... rupestres. Retroagimos?
Como animais racionais nos isolamos do mundo a nossa volta. A tela do computador, a televisão, a internet, hipermídia... essa “coisa” chamada modernidade tecnológica tornou-se nosso mundo visionário. Indefesos e acuados não sabemos como fugir. Neste exato momento nos tornamos escravos e não vemos mais pessoas indo e vindo, o gerúndio se torna implacável. No recôncavo do nosso leito pagamos pela virtualidade subjetiva e... manipulamos nosso cognitivo, formatamos nossas vidas. Os esboços ao nosso redor, são retratos pitorescos, cubistas, reproduzidos em cadeias e elos que tentamos cruzar com a realidade. Volto à utopia antagônica que me impregna. Estamos apáticos à realidade que nos cerca.Voltemos à realidade. Quanta tecnologia! Mas que importa, sou avesso a ela, xenófobo, absolutamente...xenófobo. Quero afogar o celular... na privada!Internet?
Universo midiático sem sentido e virtual. Quanta viagem! O contexto é outro, corro para não perder o ônibus, a estas horas lotado na imensa Gothan City paulistana.
No coletivo, entupido, odores ardidos e fétidos dos amplexos involuntariamente arvorados, que nos abraçam a balaústres capengas e recostos rudes. No balanço da Nau urbana e sem velas ...o vento dissipa a catinga.

Luiz Carlos Reis

quinta-feira, junho 01, 2006

Intelectos Bastardos

Pensastes como um idiota! Baluarte medíocre da hipocrisia...Tú és um louco? Até parece! Ainda pensas como um provinciano com méritos de "bobo da corte". Quanta petulância exprimes o teu ser! Quando olhas para tua imagem, refletida no espelho da vida, o quê realmente vês? Bastião inconteste! Tú vês um rosto incontido, sem máscara, sem adereços ou maquiagem. Apenas a face, um rosto carcomido e enrugado, que o tempo deixou nos traços de sua ascendência a escarlatina asquerosa e nojenta...
Somos entes arcaicos, leigos protagonistas do retrô humano! Nada! Absolutamente nada, frente a onipotência e sapiência Divina!
Julgamos com pretenção!
Sabedoria... Humildade... virtudes de poucos. Ansiamos por muito e basta tão pouco. Será assim...suficientemente tão pouco? Não condiz com o "paradoxo ajustado" da visão de mundo que assimilamos em nossa existência, dos paradigmas e viés da vida, dura por excelência!
Dura sim! Para quem amolece. Àquele que vai em frente, essa mesma vida, renova-se à cada obstáculo vencido, transpassado, superado...resolvido. Nos degrais do palanque outros ascendem...divida os espaços, deixe-os passar.
Rompido todos os "paradigmas freudianos", simples apócrifos de uma "acta" sem público, faz com que voltemos ao espelho novamente, cuja face, agora, se ilumina com novos horizontes e idéias.
O surrealismo retrô e suas falácias ficam contidos no passado, a realidade desponta. Todos são verdadeiramente iguais nessa comédia humana?
Perdeu-se?
Na imensidão das palavras! Que significados são estes? Metáforas jogadas ao vento?
Louco é quem me diz...apenas sonhos se tornam realidade!


Luiz Carlos Reis

segunda-feira, maio 29, 2006

Grãos de Areia


Somos todos tão iguais e nos vemos tão diferentes! E quando nossos sentimentos se cruzam com o que lemos ficamos surpresos... Não somos os únicos a sentir dor; não somos os únicos a sentir medo, insegurança... não somos os únicos a temer o desconhecido, a sentir decepção, a chorar de tristeza, a ficar na dúvida, a não saber que decisão tomar e recear ter feito a escolha errada... Sofremos mais porque nos vemos sós. Porque temos dificuldade em imaginar que outras pessoas passem por caminhos parecidos com os nossos. Porque nos fechamos no nosso quarto e em nós... nos sentimos tão miúdos que dificilmente imaginamos que fora da nossa janela outros seres sentem-se pequenininhos também, cada qual sozinho na sua dor e solidão. A auto-piedade que nos devasta, assola milhares de eus espalhados por aí. Vistos do alto, somos apenas pequenos pontos, grãos de areia no mar da vida, tremendamente parecidos. E a chuva, quando rega a terra, não escolhe cabeça; o sol ilumina tudo por igual e a lua pode encantar qualquer um.Somos todos sim iguais na alma, na pequenez e na grandeza; Eu choro também, me comovo, morro um pouquinho a cada dia e renasço na minha fé. Desanimo de vez em quando e ergo a cabeça logo depois; espero impaciente o nascer do dia e faço planos pro dia seguinte. Me faço mil perguntas para as quais não encontro respostas. Somos assim, tão iguais eu e você e tantos outros!... A prova disso é que você se identifica com o que digo.Se a emoção que aperta meu peito, aperta o peito de quem me lê, é porque somos feitos do mesmo barro. E se posso ver e crer na vitória e ultrapassar meus limites é porque todo mundo, cada um pode. Podemos conjugar todos os verbos em todos os tempos!É verdade que o sol não nasce e não se põe pra nós no mesmo momento, mas isso não muda em nada a verdade de que somos assim maravilhosos e importantes grãozinhos de areia aos olhos de Deus.

Letícia Thompson

segunda-feira, maio 22, 2006

Obsessão do Mar Oceano


Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso,
Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.

Mario Quintana

sexta-feira, abril 28, 2006

Um dia voce aprende que...


"...Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida; aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que eles mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve compará-los com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde se está indo, mas se você não sabe para onde está indo qualquer lugar serve. Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se; aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou; aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha; aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens; poucas coisas são tão humilhantes... e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.Aprende que quando se está com raiva se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar "

(William Shakespeare)

quinta-feira, abril 20, 2006

A Vida Simples


Nossas vidas são sobrecarregadas e a vida, muitas vezes, nos parece um negócio terrivelmente complicado. Os problemas do mundo são tão incrivelmente complexos e vemos que não há respostas simples. A complexidade sempre nos deixa com uma sensação de desesperança e impotência. No entanto, espantosamente, continuamos, dia a dia, sempre esperando, meio inconscientemente, alguma coisa mais simples e com mais significado.Assim, o modo de procurarmos a nossa vida e o modo de viver se torna tremendamente importante. Cabe a nós levar à nossa busca essa autenticidade, essa simplicidade, essa franqueza, essa clareza sem peias. Se estiverem interessados nisso de viver a vida plenamente, então cabe a vocês aprenderem, sobre ela e vivê-la.

Joan Atwater

quarta-feira, abril 05, 2006

Um Pedido à Você

Peço socorro ao mundo
pelos menores abandonados,
que muitas vezes batem à sua porta
e que você nem vê.
Peço socorro ao mundo
pelas crianças sem vida,
tantas vezes impedidas de nascer.
Peço socorro pela prostituta,
que você nunca tentou compreender,
e pelo ladrão, que muitas vezes rouba para comer.
Peço socorro pelos marginais e
pelos negros - não de pele
mas de consciência -,
pois foi você mesmo que os fez assim.
E por essa geração insegura
que dorme num amanhã nuclear.
Peço socorro pelas crianças,
com seu sorriso inocente.
E por aquele suicida que você
nem tentou entender,
com quem você achou chato conversar...
Peço socorro pela solidão
tão presente nessas metrópoles
urbanizadas, congeladas.
E pelo louco sentimento que ainda resta
nessa sua vida tão correta.
Para o mundo, para a humanidade,
e principalmente para você,
porque ao seu lado pode existir
uma pessoa como eu: pedindo,
implorando auxílio.

Ferreira Gullar

quinta-feira, março 30, 2006

Olhos Verdes

Olhos Verdes
Teus olhos verdes...

imensidão do oceano.
Num singelo piscar,
tua negra menina,
Dos olhos...

Me afaga, consola.
Olhos vivos,

brilhantes.
Olhar sapeca,
que me toca,
E me contagia.

Teu olhar tem magia,
Malícia!
Esconde segredos,

sem precedentes,
em conluio com os lábios.

Lábios de mel, carnudos,
sedentos,
doce e tenros,
à espera do ósculo,
molhado,
quente;

Agora,
Teus olhos repousam,

êxtasiados...
Eis que se fez o conjunto,
Harmonioso!
Perfeito!

Luiz Carlos Reis

sábado, março 18, 2006

Um rolé em sampa...

Sampa, terra da garoa e da boêmia, eternizada na poesia de Caetano e nas crônicas e pornôs chanchadas de Nelson Rodrigues, do engraxate que arrisca um sambinha de uma nota só no sapato do “Doto”, dos ambulantes e meretrizes da rua Aurora... exatamente... número 69. Da população de meninos e meninas de rua que protagonizam qualquer enredo de mazela social e que imperam a praça da Sé, do vai e vem, ufa!... De pessoas, cada qual com seu destino. A cidade acorda cedo.Num giro pelo centro velho e arredores, mais precisamente na Praça da República avisto uma aglomeração de pessoas atentas e curiosas, amontoando-se umas sobre as outras, muitas atrasadas para o trabalho, hoje difícil, para assistirem ao espetáculo, entre tantos. São artistas e saltimbancos, cantadores de coco, anônimos, migrantes do árido sertão nordestino. No picadeiro do calçadão o show vai começar! O protagonista vai saltar e projetar o corpo entre um arco de facas e lanças pontiagudas, o plaqueiro se esforça para dar uma espiadela. O ator prende, persuade a platéia, o suspense toma conta do episódio, momento ideal para angariar alguns trocados, o público é solícito e sempre colabora. Mais a frente outro amontoado de pessoas, pressupõe-se um novo espetáculo, não é! Trata-se de uma liquidação, dessas, tipo baciada. Adiante, e olha que rodei bastante pela city, já bem próximo do largo do café, indiferente e sem qualquer preocupação, um mendigo dorme tranqüilamente sob a marquise de um Banco. Essa mega metrópole quatrocentona aponta para mais um dia de especulações e comércio agitados. Este é só o começo! O pastor protestante discursa, cético algumas parábolas e passagens bíblicas. Promete ajuda e a salvação se alguém aceitar a Deus, fato ou doutrina o povo às tantas anda muito sofrido, mas não deixa de ter fé. São Paulo é assim não pára! Nas ruas e avenidas congestionadas automóveis e motocicletas disputam, entre transeuntes e camelôs, cada espaço da urbe num balé frenético e ordenado. São onze horas da manhã, descompassado bateu a fome. Na placa a promoção: “CHURRASCO GREGO MAIS SUCO GRÁTIS 0,50”. Barato e engana a fome, quem nunca provou? Experimente...é muito bom!Uma “muvuca” se formou quase que de imediato na quinze de novembro, uns corriam daqui, outros dali, a fiscalização da prefeitura fazia o “rapa”. Alguns arriscavam uma fuga, às vezes, com sucesso. O show ... tem que continuar! Fico só observando. Sorrateiro o malandro encosta, dois ficam no “bizú”, como olheiros. Olha aqui, olha ali...sobre o caixote que trouxe consigo o malandro coloca três tampinhas e uma única bolinha, incrível a habilidade disposta, logo vai se formar uma rodinha de apostadores.- Olha a bolinha! Está aqui, não está! Cá está, lá se foi...Opa! Quem vai apostar? O malandro casa 50 pilas, quem apostar leva R$ 100,00 reais. Interessante! Pensei. O sujeito aposta, se vira pra tirar os R$ 50,00 da carteira e como num passe de mágica o “veiaco” some com a bolinha! Pois é ...o azarão perdeu cinquentinha.- Olha os “hôme” aí! Grita um camarada. Pura armação. Blefe! O malandro se dispersa entre o populacho. Sobrevivemos à dura realidade do cotidiano paulista, palco da cultura nacional.Entardeceu! O mendigo, agora embriagado, balbucia palavras e patavinas indecifráveis consigo, a solidão lhe impinge um amigo imaginário. A tenda circense, denotada nos calçadões centrais, aos poucos é desarvorada. Abrem-se as cortinas para o segundo ato do espetáculo, os protagonistas agora são outros, homens e mulheres travestidos, gigolôs, meretrizes, pitboys, punks e góticos, clichês do persuadido e requintado ode paulistano. A selva de pedra se destaca pelos feixes de luzes estroboscópicas de letreiros e luminosos, que adornam, agora, sua estrutura de pedra e aço. Nos becos destaque para botequins, inferninhos, lans e alternativos, mananciais dessa Ghotan City brasileira. Regida pela sinfonia desconcertante dos ruídos noturnos, a lua, velha conhecida, aparece tímida para alumiar as escusas e sombrias vielas dessa paulicéia desvairada.Nos guetos, onde imperam luxúria, requinte e status, a magia da noite paulistana é lembrada e idolatrada ,mais uma vez , nas composições dos poetas contemporâneos. Roteiro sem restrições. Ao parafrasear o trecho: “Quem tem dinheiro bota a banca e vai gastar, uísque, caviar. Quem não têm vai de bar em bar , enche a cara de cachaça e manda pendurar...” , eis o retrato insólito da boêmia brasileira. Pelo menos para mim!Enfim, aproxima-se o final de semana! – Garçom, um chope, por favor! É... ninguém é de ferro. A lua , velha companheira, de tantas... baladas para ser mais “moderninho”, brinca de esconder-se. “Mente quem diz que a lua é velha”.Desculpem-me a "viagem", mas um belo par de olhos insinua algo...Um bate papo, talvez um...- Ora deixa pra lá, isso é assunto pra uma outra história.

Luiz Carlos Reis

quinta-feira, março 16, 2006

O Lago

Olho o lago tão sereno
Parece indiferente a minha presença
Mas sinto necessidade de alguém
Molho as pontas dos dedos
Ele parece despertar ainda trêmulo
Me sauda num susurro.
É que invejo sossego
E sempre me enludo
Sou mar, revolto e em chamas
Mas como me acalmar?
Se trago em mim versos de mar.
Como fazer se não posso me calar
E passo horas a me consumir
Procuro me satisfazer entre sólido e líquido.
Também tenho medo de não me achar
E angustiado procurar por mim
Não serei nem rio, nem mar
Pois com a lua tenho encontro marcado
Sou Lago solitário irei recebê-la
No mergulho do amor profundo e raro.

Darcy Costa Almeida, Literarte - Ano XVIII, Fev/02 - no. 201

quinta-feira, março 09, 2006

Descobrimento e ...imperialismo

Os temas abordados por antropólogos e historiadores nesses 500 anos de descobrimento, traçam uma apologia retórica e concreta dessa miscelânea de valores culturais regionais e a imensurável grandeza de nossa Pátria. No entanto, diante da realidade aparente indagamos: O quê de fato estamos comemorando?Refletindo o passado e retratando alguns fatos históricos desde os primórdios da nossa colonização, deparamos com a chegada dos portugueses na costa brasileira trazendo na bagagem uma infinidade de "novas" culturas. Impulsionados pelas grandes navegações além mar, pregavam a ideologia de evangelização mundial e, já naquela época, de propensão ao lucro e a dominação.Aportaram aqui numa terra sem leis, rica e inexplorada, habitada por gente boa e inocente, que andavam nuas e gostavam de festas e música. Desprovidas de um Rei, mas guarnecidas de costumes e valores morais para com a natureza e seus entes. A terra de Santa Cruz, como foi chamada inicialmente, conheceria de perto o senhor absoluto – a Colonização. E justificaria mais tarde a fortuna na saga descobridora de portugueses e espanhóis. O paraíso transformava-se num inferno. Os habitantes, os índios, eram dizimados gradativamente, por doenças e pestes de além mar, escravizados e surrados, para arrancarem de “suas” terras, agora propriedade privada, riquezas inigualáveis. Estreitavam-se então os mitos frente à realidade da dominação colonial, fundamentar a propriedade privada, escravisar e catequizar, centrado numa educação áulica e alienada, em subordinação à elite clerical.De colônia à império numa breve passagem ao período republicano, a ditadura também deixou raízes que configuram apenas os traços monopolistas e ideológicos, voltados efetivamente para a manipulação das classes populares, fragmentando-as com o auxilio da comunicação de massa. Face aos eventuais acontecimentos históricos convém analisar, de forma apocalíptica, a realidade que nos remete para um futuro de incertezas e desigualdades, já traçadas, paralelamente, pelo nepotismo e corrupção política, aliada inconteste da exploração de nossos recursos e fontes naturais, chaga do desiquilíbrio ambiental. No âmbito social, arregimentadas pelo capitalismo espoliativo e darwinista, a desigualdade social cujo baixo índice de desenvolvimento humano, "enriquece" a nuança pintada das mazelas sociais do retrato brasileiro, revelando-se protagonista da colônia que ainda insistimos em ser.Que país é este?


Luiz Carlos Reis

terça-feira, março 07, 2006

Canto de ternura

Eu quisera ser o cisne branco
Do teu lago encantado.
Deslizar, suavemente,
Pelas águas descuidadas,
Na paz concreta
De um imenso amor.
Olhar serenamente o céu,
Todo crivadinho
De estrelas peregrinas,
E vislumbrar,
Nas linhas do horizonte,
O teu vulto amado,
Perdido na distância,
Então numa doce simbiose,
De desejo e de ternura tanta
Eu bicaria o espaço
Vazio entre nós dois,
E buscaria lá do alto
O teu sorriso calmo,
O teu olhar viril.
E trazendo de ti,
Pedaço por pedaço
Eu te teria inteiro,
Somente pra mim,
Ó meu eterno
E imortal amor!

Arita D. Petená - Literarte, Ano XVIII, Fev/02 - no. 201

sexta-feira, março 03, 2006

Conto de Carnaval

Mês de fevereiro... Verão, praia, piscina e ... Carnaval que desponta como reduto incontestável de Reis Momos, arlequins e pierrôs trazendo na bagagem muita diversão, folias e folguedos.
No norte e nordeste brasileiro, têm frevo e maracatú, no sul o contágio dos enredos e a luxúria de blocos, cordões e escolas de samba. No centro-oeste o siriri festeja a folia carnavalesca às margens do Rio Grande. Mas, é na Bahia, nordeste brasileiro, onde o carnaval fora de época, de estafantes e contagiantes blocos e trios elétricos, compõe o cenário da festa tupiniquim. Para os festeiros de plantão, diversão garantida, para outros tragicomédia.
Doutor Zulmiro, solteirão convicto, no auge dos seus quarenta e poucos anos, boa forma física ensaiava, a caráter, alguns passos e marchas carnavalescas, não queria fazer feio. Precavido preparou tudo às vésperas. Passagens e reservas com destino à Salvador. No aeroporto o desabafo:
- Dane-se! Dane-se tudo...a patética situação econômica e política da Argentina, os entraves políticos no Brasil, a febre aftosa, FHC e sua corja, as eleições .. O que importa nesse momento é curtir o carnaval...esquindô lê lê! Esquindô lá lá – gesticulava com os dedos em riste.
A ansiedade e a expectativa tomavam conta daquele “tiozinho”. Haja coração! Quanta mulher bonita e “gostosa”, pensava Zulmiro. Na praça Rui Barbosa, o público apinhado e gigantesco, pulava freneticamente. No meio da ror, estava Zulmiro... ê Zulmirão! Curtia como um chicleteiro, numa empolgação alucinada. O calor exalava os mais diversos odores de “sovaco”, mistura de gente, suores, purpurina e confetes. A bebida predileta, uma tal de “capeta”, à base de vodka, guaraná em pó e canela, esquentava ainda mais e, haja água pra hidratar e agüentar o embalado carnaval fora de época do nordeste.. e olha que tem folia pra muitos dias.
E nossas mulheres...que belas obras na mãe natureza! Morenas ou loiras, tropicanas e calientes, beldades brasileiras de curvas sinuosas em minúsculas roupas. Insinuando, provocando, rebolando as cadeiras e instigando as mais loucas fantasias daquele quarentão, ao som da banda Chiclete com Banana.
Empolgou-se! Viajou na maionese! Não soube precisar de onde veio o pescoção... uma... raquetada, para ser mais exato!
O tapa foi tão forte que Zulmiro despencou e estatelou-se no chão. Caído, foi pisoteado e “atropelado” pela multidão fanática que cantava o refrão: “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”.
Na Santa Casa de Salvador, as ataduras que cobriam o corpo de Zulmiro, davam-lhe um aspecto de “múmia egípcia”. No ouvido persistia o zumbido da bofetada, que quase lhe estourou os tímpanos. Na televisão...o Big Brother da reeleição...é Lula lá.. - Paz e amor! De novo! Nas lembranças de Zulmiro o carnaval não acaba na quarta-feira de cinzas... termina antes! Certamente a mulher do próximo não é colírio para os olhos! E... tudo começa outra vez, eis que o samba... é de uma nota só!



Luiz Carlos Reis

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Abóboras e abobrinhas


Ninguém vive sem um pouco de abobrinha, aspargos? Vamos em frente:

Mulher de amigo meu pra mim é ótimo!
Cada ovo comido é um pinto perdido!
Se andar fosse bom, o carteiro seria imortal!

Mulher feia é igual a ventania, só quebra galho! Perfeito!
Os últimos serão os primeiros e os do meio sempre serão os do meio!
Filho é igual peido: você só agüenta o seu! Alguém tem alguma dúvida?
Mulher é que nem lençol: Da cama para o tanque, do tanque para a cama!
Quem dá aos pobres, tem que pagar o Motel!

A semelhança entre o entregador de pizza e o ginecologista, é que os dois sentem o cheiro, mas não podem comer!
Se barba fosse respeito, bode não tinha chifre!
Se tamanho fosse documento o elefante era dono do circo!
A mulher foi feita da costela...imagine se fosse do filé!
Adoro as rosas, mas prefiro as trepadeiras...
Quem tem olho gordo, usa colírio diet!
Aonde vamos parar? Até Papai-Noel anda saindo com veados!

Seja legal com seus filhos. Eles que vão escolher seu asilo! Pô essa foi muito radical.
A pior das sextas-feiras ainda é melhor do que a melhor das segundas-feiras!
Não há melhor momento do que hoje para deixar para amanha o que você não vai fazer nunca!Não entendí!

Eu sempre me importei com a beleza interior da mulher. Uma vez dentro...beleza!
Sexo grátis, amor a combinar!Essa é pra anúncio de michê...
Se o amor é cego o negocio é apalpar!

Se sua mulher pedir mais liberdade, compre uma corda maior!
Para evitar filhos, transe com a cunhada, a prole será de sobrinhos.