
Segunda -feira, quatro e quinze da madrugada acordei meio assustado com o barulho ensurdecedor do despertador. Num acesso incontrolável de estresse e raiva, desliguei-o brutalmente com uma pancada. Como dormí muito mal a noite anterior.
- "Marvada" pinga! Não estou suportando o meu próprio hálito.
As dores de cabeça... nas costas e pescoço estão insuportáveis, tornaram-se congênitas... são protagonistas da minha insônia, dessa "coisa" de dormir chapado.
Prometo para mim mesmo parar de... nunca mais beber.
- Maldita insônia! Ainda sonolento, levantei e sentei-me na cama, o colchão já não absorve as tensões ortopédicas previstas , meu corpo está cansado e o sono... é incontido e maçante. Espreguiço...o estalar dos ossos rompe o silêncio amorfo. A penumbra invade aquele cubículo frio, fétido e embolorado. Restos mortais de uma barata nojenta e gosmenta, impregnam a sola do meu pé...pisei por infelicidade naquele ortóptero alado. Azar o dela! Tateio o chão com os pés e, na escuridão da edícula, meu cognitivo tão ou... atordoado pela bebedeira indaga: cadê a porra do chinelo? De pé! Finalmente!
A cabeça roda...e roda como pião na cela desenhada com gravetos, num chão de terra batido. Mas é questão de tempo...a topada do antelho mínimo no "pé da cama" foi inevitável, a dor provocou o marejar dos olhos, escureceu a visão, e uma dor pungente e desmedida toma forma...
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Algumas lágrimas escorrem pelos cantos dos olhos , um palavrão ecoa num desabafo incontrolável, como um rugido, quebrando o silêncio da madrugada...
Luiz Carlos Reis
Foto:
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