oficina cultural

oficinas culturais texto

Páginas

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

A palavra

Sim Senhortudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras, as inesperadas ou que avidamente a gente espera e espreita... Até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilhantes como pedras coloridas, ou como peixes que saltam... São espumas, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... 
Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas; E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... 
Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu... Têm sombra, alma,transparência, peso, plumas, pêlos, têm raízes... São antiqüíssimas e recentíssimas... 
Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, feijões, tabaco negro, ouro, milho, com apetite voraz que nunca se viu no mundo... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas dos elmos, das ferraduras... Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro.

(Pablo Neruda)

segunda-feira, setembro 12, 2011

Um poema...

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis e
esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara" muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só pra escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade,
já tive medo de perder alguém especial!

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida...
e você também não deveria passar.

Viva.

Charles Chaplin

segunda-feira, dezembro 20, 2010

O pão de cada dia

O melhor caminho é aquele por onde teu coração é presente, por onde teus pés caminham.
O teu caminho torna-se sagrado pelo simples fato de estares inserido nele. Nele estão teus humores, tuas vontades, teus sonhos, tuas alegrias, tuas dores.
Questões já assumidas, outras ainda por trabalhar e outras tantas já esquecidas em algum lugar do teu ser...
Já pensastes quantos espaços dentro de ti estão à espera dos teus pincéis, das tuas tintas, da tua criação?
Já sentistes que tens todos os meios para te lançares naquilo que teu coração tanto anseia?
Seja um perdão, um pouco de silêncio, um pouco mais de compreensão, paciência, discernimento, alegria...
Muitas vezes, fechas os olhos para esta realidade, entregando-te nas mãos de outros para que te cuidem e te mostrem o caminho pelo qual deves seguir.
Quem pode, realmente, fazer algo por ti, se tudo depende da tua vontade, do teu querer?
Tens que arregaçar as mangas, sacudir a poeira dos teus pés e prosseguir. Prosseguir nem que seja no escuro, sem saber ao certo para onde estás indo...
O importante é não desistires, não estagnares. Mesmo nos momentos onde te sentes perdido, completamente sem direção, há algo que trabalha em ti. e por ti.
Lá, por trás das inúmeras sombras, medos e decepções, algo ilumina...algo aprende...algo organiza...
E então, num belo dia, acordas sentindo que a tempestade passou...
É...A vida prossegue, mesmo quando tendes a acreditar que tuas forças ficaram lá atrás.
Abençoa te, revigora teu caminho, pois ele te pertence, e está aos teus cuidados. Não há outro para cuidar da tua jornada.
Somente tu podes percorrê-la e vivenciá-la. Este é o pão de cada dia.

Texto de Sandra Guimarães

quinta-feira, outubro 08, 2009

Sinfonia

A sinfonia que perdeu-se com os anseios vagam por entre as vertentes da natureza humana. Mas é na condução da música, essa opereta da vida, que os acordes se ajustam como se estivessem na pauta. Pauta de vida...sofreguidão! A sinfonia não é mais sinfonia, são duetos que já não se encontram mais... Os arpejos melancólicos se esvaem e o maestro não conduz a peça musical como deveria com a maestria que lhe é peculiar. Mais um palco se levanta...outras paixões... No teatro montado a platéia se dispersa...não há aplausos...não há textos...não há representação...não existem atos... nem atores... a música ao fundo é cantarolada....como um fado de letras tristonhas! Eis que o tenor de shakeaspeare muda o tom da sinfonia...da opereta... e os poetas de outrora renascem assim como a nova sinfonia, como meninos pequenos...o desabrochar dos primeiros botões... E, acordes perpetuados despontam incólumes, póstumos na pauta numa harmonia perfeita com os versos cantados... Ê vida...! Que retoma os anseios divagando no vento e renasce na esperança... as musas sempre únicas...tudo inspira nessa sinfonia de meninos...mais devaneios...na imensidão do mar. Soltemos as amarras somos expectadores e coadjuvantes dessa sinfonia... pulsante vida!

Luiz Carlos Reis

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Cotidiano de um suburbano...O começo

O dia promete ser atribulado. O vai e vem de pessoas esbarrando-se entre si, cada qual no seu rumo, incerto, efêmero, às vezes sem sentido, me atordoa.Sou mais uma incógnita, anônima. Receoso indago que caminho devo seguir ? Essa pós- modernidade utópica e retrógrada me contagia ... Sou fruto passivo da xenofobia congênita, que impregna as “coisas velhas” e ultrapassadas... vencidas. Um novo plano eclode da virtualidade: o subjetivo humano. Penso, talvez eu exista! Descarto qualquer plágio! As unanimidades persistem e corroem as discussões sem argumentações.Existem dialéticas sem fundamentações ou filosofias artificiais? Nas ruas tribos amotinadas amontoam-se e disputam espaços urbanos nos picos mais altos da selva de pedra. Pitorescas são as formas e os variados signos que maculam a arte... rupestres. Retroagimos? Como animais racionais nos isolamos do mundo a nossa volta. A tela do computador, a televisão, a internet, hipermídia... essa “coisa” chamada modernidade tecnológica tornou-se nosso mundo visionário. Indefesos e acuados não sabemos como fugir. Neste exato momento nos tornamos escravos e não vemos mais pessoas indo e vindo, o gerúndio se torna implacável. No recôncavo do nosso leito pagamos pela virtualidade subjetiva e... manipulamos nosso cognitivo, formatamos nossas vidas. Os esboços ao nosso redor, são retratos pitorescos, cubistas, reproduzidos em cadeias e elos que tentamos cruzar com a realidade. Volto à utopia antagônica que me impregna. Estamos apáticos à realidade que nos cerca.Voltemos à realidade. Quanta tecnologia! Mas que importa, sou avesso a ela, xenófobo, absolutamente...xenófobo. Quero afogar o celular... na privada!Internet? Universo midiático sem sentido e virtual. Quanta viagem! O contexto é outro, corro para não perder o ônibus, a estas horas lotado na imensa Gothan City paulistana. No coletivo, entupido, odores ardidos e fétidos dos amplexos involuntariamente arvorados, que nos abraçam a balaústres capengas e recostos rudes. No balanço da Nau urbana e sem velas ...o vento dissipa a catinga.

Luiz Carlos Reis

segunda-feira, outubro 08, 2007

Cavalgada



Cavalgo em êxtase
no corcel da poesia.
O espaço me limita o vôo,
mas a alma liberta
transpõe os horizontes.
Nas patas do cavalo,
vou massacrando sonhos,
e o chicote estala no lombo insofrido.
Tenho pressa de chegar...
De esquecer...
De me por em novo abrigo...
E na corrida em que me lanço,
agarro-me às rédeas do alado corcel,
indiferente às quedas a que me exponho.
Eis mais um obstáculo à frente.
Derrubo estacas.
Derrubo a mim mesmo.
Mas, novamente em pé,
ergo para o alto o cetro da vitória,
após ter caído
pra levantar de novo.


Aritá D. Pettená, Literarte, Ano XXIII, nº 264, Fev/2007

segunda-feira, agosto 13, 2007

Mar Oceano...

Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama.
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas sobre as mesas...
E moças na janelas com brincos e pulseiras de coral... Búzios calçando portas...
Caravelas sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto, na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só, uma caixa de música;
Uma bússola, um mapa figurado, uns poemas cheios de beleza única de estarem inconclusos... Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei ! Eu nem sei como te chamas?
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.

Mario Quintana

terça-feira, julho 17, 2007

Ao escrever poemas...


Tenho a mão pesada ao escrever poemas. Abro, no papel, profundos sulcos, tipo leito de um rio, por onde navegam palavras, pensamentos, histórias, coisas colhidas nas trilhas desta vida. Não acaricio as palavras, espremo-as, até ter delas seu sumo, seus significados. Uso cores agressivas, por vezes exuberantes, quando tento passar uma mensagem. Quando falo de saudade prefiro o cinza, nostalgia em branco e preto e a revolta em águas barrentas, sempre! Estou mais para realidade, a vida me fez assim!

Tenho a mão pesada aos escrever poemas, machuco o papel, até perceber que alí existe sangue, suor, saliva, sentimento, não sei escrever sem expor feridas. Parir versos é remexer nas entranhas, é cutucar cicatrizes, fazê-las ardidas, só assim o poema sobrevive e eu consiigo exorcizar minha dor.

Imagem

Naldo Velho, Literarte, ano XXII, nº 264, Fev/2007

quinta-feira, julho 05, 2007

Prêmio Blog com Tomates



Agradeço ao amigo José Vitor, do fundo do coração a honra de ostentar um selo tão precioso "Blog com Tomates". Peço desculpas por somente agora poder indicar blogs amigos de responsabilidade incontestável, cujo conteúdo mantém-se dentro da ética e transparência no qual presumo ser imprescindível ao referido prêmio:
Aos demais blogs amigos e que sempre estão presentes aqui no Oficina Cultural, gostaria de dividir este nobre e maravilhoso selo prêmio de suma importância à blogosfera, traz determinação agregados à motivação com excessivas doses de responsabilidade em cada novo contexto.
Obrigado!

terça-feira, junho 26, 2007

Lágrimas

Amamos, sofremos... O tempo continua passando...
Tudo acontecendo, a paixão rolando depois... O amor surgindo.
Passado, presente, futuro são meros estados de percepção.
Todas as ilusões criadas se quebraram no espelho do futuro que não existe. Castelos de cristais são tão delicados quanto lágrimas de uma mulher chorando porque suas ilusões chocaram-se com uma realidade que em seu passado presente não acreditou...


Lúcio Jardim, Reflexões, pág.18

terça-feira, maio 22, 2007

Cio da terra


Aquele era um caminho sem volta e ele sabia. Condenar sua conduta impigia-lhe certos paradigmas. O ímpeto e a força interior acometia-lhe a alma, suplantando todas as dúvidas e concepções...Dúbias eram as palavras.
Estava certo, o caminhar era duro e a estrada extensa e repleta de obstáculos...Não cederia à contento dos outros! Rendeu-se ao amor de outrora, numa algaravia platônica de alcova, dois corpos, dois pólos atraídos pelo desejo incontido. No ventre daquela fêmea de corpo frágil e dócil despontava uma nova vida...O teu fruto, tua descendência à perpetuar-se.
Aquele varão ficou perplexo, estático , imóvel. A alegria incontida entre o choro e a felicidade estampava-lhe o rosto corado de olhar rapinado. Não fugiria à responsabilidade, sua Jasmine, seu filho, sua terra precisavam de braços fortes. Tiraria do sulco daquela terra, da força de suas mãos o sustento precioso que semearia. No horizonte um caminho de incertezas, no ventre de sua amada viu-se presente a hombridade que guardara, não exitou: "sou homem da terra, desta que tanto me deu tenho somente gratidão".
As mãos calejadas prostraram-se unidas, agradecendo à Deus por sua vida, pela natureza em comunhão...Tua descendência na cadeia evolutiva concretizava-se.
Num abraço varonil acalenta e envolve Jasmine. "Sou teu minha amada, sou desta terra é aqui onde finco meu sabre reluzente pois no coração repousa a lealdade ..."
O nobre homem dá as costas à estrada... Volta-se para sua paixão e história, pois não há fronteiras ao amor perene.



Luiz Carlos Reis

quarta-feira, maio 09, 2007

O valor do caráter


Uma frase memorável e que talvez resuma a essência dos seres humanos no meio social : atitude.
Uma corrente Meme à pedido de um amigo Pete( http://petemichael.blogspot.com/ ) para refletirmos.
Imagem retirada da internet www.apremavi.com.br


"Não se mede o valor de um homem pelas suas vestimentas ou bens que possui; O verdadeiro valor de um homem está em seu caráter e na nobreza dos seus ideais".


Charles Chaplin

segunda-feira, abril 16, 2007

Olhos Verdes

Teus olhos verdes...
Vasta imensidão do oceano.
Num singelo piscar,
tua negra menina...
Dos olhos.

Me afaga, consola.
Olhos vivos,
brilhantes.
Olhar sapeca,
que me toca,
E me contagia.

Teu olhar tem magia,
Malícia!
Esconde segredos,
sem precedentes,
em conluio com os lábios.

Lábios de mel, carnudos,
sedentos, doce e tenros,
à espera do ósculo,
molhado, quente;

Agora,
Teus olhos repousam,
êxtasiados...
Eis que se fez o conjunto,
Harmonioso! Perfeito!

Luiz Carlos Reis

quarta-feira, março 28, 2007

Canto de ternura


Eu, quisera ser o cisne branco
Do teu lago encantado.
Deslizar suavemente,
Pelas águas descuidadas,
Na paz concreta de um imenso amor.
Olhar serenamente o céu,
Todo crivadinho
De estrelas peregrinas,
E vislumbrar,
Nas linhas do horizonte,
O teu vulto amado,
Perdido na distância.
Então numa doce simbiose,
De desejo e de ternura tanta
Eu bicaria o espaço vazio entre nós dois,
E buscaria lá do alto
O teu sorriso calmo,
O teu olhar viril.
E trazendo de ti,
Pedaço por pedaço
Eu te teria inteiro,
Somente pra mim,
Ó meu eterno
E imortal amor!

Arita D. Petená - Literarte, Fev/02 - no. 201

terça-feira, março 20, 2007

Monólogo

Células urbanas perturbadas ...Um e outro cético inato pragmatismo de mundo. Ora... Porque ostentam tantos paradigmas ? Será por conta de um sociedade falida e muitas vezes arbitrária, mascarada, utópica?
Hipócritas! Patéticos bastardos da Gaia grega, a procura de súditos dos próprios ensinamentos. Pobre pensamentos, num tempo perdido!
...Urbanóides que se alinham na esfera do "Status Quó", híbridos e ociosos, aparatos inócuos em desalinho... Desatino!
Pedras inanimadas da rapsódia comedida, mensurável faceta impura da nobreza : Os feudos natos!
Células Urbanas...Matrizes subalternas da casta polida...Monstruosa e desumana! Deixam-nos para tráz... A politicagem sem rumo, eira ou beira...Sem diretrizes.
Rochas inanimadas , sedimentadas de memória sóbria, porém, curta. Trocamos os papéis para o segundo ato do episódio...Mais uma cena!
Do caráter sereno sobraram bravuras incontestes...!
Eis a célula urbana num tempo voraz de retóricas mil...
No apraz de um monólogo incerto... No dissertar dos fatos recobro a consciência e o meu caminho já não é mais o mesmo...Células urbanas é o que somos no monólogo da vida!


Luiz Carlos Reis

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Conto de Carnaval

Mês de fevereiro... Verão, praia, piscina e ... Carnaval que desponta como reduto incontestável de Reis Momos, Arlequins e Pierrôs trazendo na bagagem muita diversão, folias e folguedos. No norte e nordeste brasileiro têm frevo e maracatú, no sul o contágio dos enredos e a luxúria de blocos, cordões e escolas de samba. No centro-oeste o siriri festeja a folia carnavalesca às margens do Rio Grande. Mas é na Bahia, nordeste brasileiro, onde o carnaval fora de época, de estafantes e contagiantes blocos e trios elétricos compõe o cenário da festa tupiniquim. Para os festeiros de plantão, diversão garantida, para outros tragicomédia. E, Doutor Zulmiro, solteirão convicto no auge dos seus quarenta e poucos anos, boa forma física ensaiava, a caráter, alguns passos e marchas carnavalescas, não queria fazer feio. Precavido preparou tudo às vésperas. Passagens e reservas com destino à Salvador. No aeroporto o desabafo:
- Dane-se! Dane-se tudo...a patética situação econômica e política da Argentina, os entraves políticos no Brasil, a febre aftosa, LULA e sua corja, as eleições ...O que importa nesse momento é curtir o carnaval...esquindô lê lê! Esquindô lá lá – gesticulava com os dedos em riste. A ansiedade e a expectativa tomavam conta daquele “tiozinho”. Haja coração! Quanta mulher bonita e “gostosa”, pensava Zulmiro. Na praça Rui Barbosa, o público apinhado e gigantesco pulava freneticamente. No meio da ror estava Zulmiro... Ê Zulmirão! Curtia como um chicleteiro, numa empolgação alucinada. O calor exalava os mais diversos odores de “sovaco”, mistura de gente, suores, purpurina e confetes. A bebida predileta, uma tal de “capeta”, à base de vodka, guaraná em pó e canela, esquentava ainda mais e haja água pra hidratar e agüentar o embalado carnaval fora de época do nordeste.. Tem folia pra muitos dias. Nossas mulheres! Que belas obras na mãe natureza! Morenas ou loiras, tropicanas e calientes, beldades brasileiras de curvas sinuosas em minúsculas roupas. Insinuando, provocando, rebolando as cadeiras e instigando as mais loucas fantasias daquele quarentão, ao som da banda Chiclete com Banana. Empolgou-se! Não soube precisar de onde veio o pescoção... uma... raquetada, para ser mais exato!O tapa foi tão forte que Zulmiro despencou e estatelou-se no chão. Caído, foi pisoteado e “atropelado” pela multidão fanática que cantava o refrão: “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”.Na Santa Casa de Salvador, as ataduras que cobriam o corpo de Zulmiro, davam-lhe um aspecto de “múmia egípcia”. No ouvido persistia o zumbido da bofetada, que quase lhe estourou os tímpanos. Na televisão...o Big Brother da reeleição...é Lula lá.. - Paz e amor! De novo! Nas lembranças de Zulmiro o carnaval não acaba na quarta-feira de cinzas... termina antes! Certamente a mulher do próximo não é colírio para os olhos! E... tudo começa outra vez, eis que o samba... é de uma nota só!

Luiz Carlos Reis

sexta-feira, janeiro 19, 2007

As Bruxas do segundo milênio...


Poesias tímidas de luas dançantes
e nádegas empinadas desfilam por aí...
Incendeiam corações inocentes;
brilham em momentos efêmeros;
brilham em momentos vezes infindos ;
rodopiam em escadas ao toque bêbado,
mágico blues da noite,
trançando as pernas procurando caminho,
carinho sem par ou destino...


Leonardo Leon - Beijo Descalço

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Minutos

Alguns minutos bastam para escrevermos aquilo que sentimos, ouvimos, vivemos, experimentamos, curtimos, reinventamos, ansiamos ou deixamos por fazer.
Proferir um gesto bastante peculiar, um sorriso por exemplo, assim, meio sem jeito, gostoso, maroto, com olhar atento... Às vezes é difícil.
Já sorristes com os olhos hoje? Pois então sorria, gargalhe afinal somos felizes por viver, respirar, amar, sentir...Gestos tão importantes que passam desapercebidos, num tempo sempre tão reduzido... É a vida, suponho, sempre louca e atribulada da pós modernidade provocando lapsos...
Uma linha escrita , um caminho traçado e o destino: sempre encoberto e escuso.
Quimera todos os amores fossem platônicos ou possíveis, muito pouco, para o deleite dos Poetas ou, que os dissabores da vida fossem somente pedras que saltamos pelos caminhos quase sempre retos.
Mas este velho baú de retóricas, o coração, é quem apela para as boas memórias.
Porém, mais tarde, ao final do caminho, depois de horas, dias, anos, décadas...E...Não, não! Como não percebemos que envelhecemos? Será que perdemos algo de importante por conta do nosso orgulho e vaidades?
Temos o nosso próprio tempo, não o percamos com tolices! Apuremos nossas virtudes!A vida é a plenitude em todas as suas vertentes...
E, alguns minutos bastam para que nosso coração se acostume à simplicidade recíproca da vida...

Luiz Carlos Reis

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Feliz Natal ! Que a paz e a harmonia estejam nos corações de todos!!!!

Luiz Carlos Reis

terça-feira, novembro 14, 2006

(...)Prólogo

O frio castigava, sentia nos ossos. Na face rubra o sereno condensava-se em gotas geladas que causavam arrepios. Protegia-me com a gola do casaco, já velho e surrado, mas de nada adiantava. De repente uma rajada de vento polar...Que estranha analogia! Os imensos arvoredos da praça açoitavam como chicotes estalando no ar. Uma penumbra mórbida completava a paisagem. E... Minha figura era protagonista de mais uma noite sozinho. Insólito e pressuposto monólogo.
Essa solidão... De onde vem as conquistas ? E os caminhos porquê são sempre tortuosos? Experiências que suponho virem destas estradas íngremes da vida...
Um vazio que nos arremata em pensamentos... Obscuros por falta de opções. Loucuras de um passado empírico. Outrora vividas!

Sei lá! Estamos no presente! Cada minuto ou segundo, ou mesmo horas a realidade se faz presente, portanto, imprescindível à crônica do tempo...Cronológica de genealogia inconstante...
Deixa disso!?!? - Pensava.
O frio aplacava minha memória, recostei naquele banco úmido e gosmento da praça outra vez. As árvores e o vento já não faziam muito sentido...

E, a noite já não era tão mórbida como parecia pois a lua estava carregada de emoção, mostrava-se saliente e atônita... Cheia e iluminada... Clara!
- Onde estavas frio? As escolhas: sempre tão difíceis.
Ajustei a gola do casaco e me levantei, precisava continuar, construir uma trilha pois o caminho ja estava traçado.
Assim como o tempo as estradas são repletas de pedras e obstáculos... O sereno agora é garoa fina... Onde está a lua? E o vento ?

Paira apenas uma brisa... Úmida... Fria!


Luiz Carlos Reis